{"id":5804,"date":"2015-05-29T20:13:15","date_gmt":"2015-05-29T20:13:15","guid":{"rendered":"http:\/\/comcept.org\/?p=5804"},"modified":"2015-05-29T20:13:15","modified_gmt":"2015-05-29T20:13:15","slug":"o-chocolate-emagrece-engorda-cura-e-causa-cancro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.comcept.org\/wp\/o-chocolate-emagrece-engorda-cura-e-causa-cancro\/","title":{"rendered":"O chocolate emagrece, engorda, cura e causa cancro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria propagou-se por v\u00e1rios pa\u00edses, tanto na Internet como em meios de comunica\u00e7\u00e3o. Alegadamente, cientistas alem\u00e3es descobriram que o consumo de chocolate negro, quando conjugado com uma dieta de baixo teor em hidratos de carbono, ajuda a perder peso 10% mais r\u00e1pido! Os amantes de chocolate festejaram um pouco por todo o mundo. Finalmente! Uma raz\u00e3o para comer chocolate sem qualquer sentimento de culpa. Contudo, e antes que o leitor ferre a primeira dentada naquela tablete que tem andado a evitar, \u00e9 bom que saiba que estes resultados na verdade n\u00e3o significam nada: como em muitas outras not\u00edcias do g\u00e9nero, o estudo de onde sa\u00edram tem pouca ou nenhuma fundamenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><a href=\"http:\/\/io9.com\/i-fooled-millions-into-thinking-chocolate-helps-weight-1707251800\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cEu levei milh\u00f5es a pensar que o chocolate ajuda a perder peso\u201d<\/a><\/em>, confessou esta quarta-feira o jornalista de ci\u00eancia John Bohannon. Ele tinha j\u00e1 sido respons\u00e1vel pelo <a href=\"http:\/\/www.sciencemag.org\/content\/342\/6154\/60.full\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">artigo da revista <em>Science<\/em><\/a> que, em 2013, revelou que mais de metade das revistas cient\u00edficas de acesso livre aceitou publicar artigos fict\u00edcios com erros grosseiros. Desta vez, o objectivo de Bohannon foi o de demonstrar o qu\u00e3o f\u00e1cil \u00e9 transformar um mau exemplo de ci\u00eancia em grandes manchetes sobre dietas e a influ\u00eancia dos alimentos na sa\u00fade.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5820\" aria-describedby=\"caption-attachment-5820\" style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5820 size-large\" title=\"\" src=\"http:\/\/comcept.org\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/1280px-Schokolade-schwarz-1024x474.jpg\" alt=\"O chocolate negro foi escolhido para explorar a cren\u00e7a de que se algo sabe mal ou amarga ent\u00e3o \u00e9 porque faz bem. Cr\u00e9dito: Simon A. Eugster.\" width=\"630\" height=\"292\" srcset=\"https:\/\/teste.comcept.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/1280px-Schokolade-schwarz-1024x474.jpg 1024w, https:\/\/teste.comcept.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/1280px-Schokolade-schwarz-300x139.jpg 300w, https:\/\/teste.comcept.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/1280px-Schokolade-schwarz-768x356.jpg 768w, https:\/\/teste.comcept.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/1280px-Schokolade-schwarz.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 630px) 100vw, 630px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5820\" class=\"wp-caption-text\">O chocolate negro foi escolhido para explorar a cren\u00e7a de que se algo sabe mal ou amarga ent\u00e3o \u00e9 porque faz bem. Cr\u00e9dito: Simon A. Eugster.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mais interessante deste caso \u00e9 que John Bohannon n\u00e3o inventou ou falsificou os resultados do estudo, foi um estudo 100% aut\u00eantico e n\u00e3o muito diferente de outros que todos os anos s\u00e3o publicados na \u00e1rea da nutri\u00e7\u00e3o: foram recrutados participantes na Alemanha, foi realizado um ensaio cl\u00ednico genu\u00edno e os resultados foram estatisticamente significativos. A diferen\u00e7a \u00e9 que foi intencionalmente desenhado para ser um mau exemplo de ci\u00eancia \u2013 entre outras coisas, o pequeno n\u00famero de participantes e o elevado n\u00famero de par\u00e2metros a medir criaram a receita ideal para obter falsos positivos. No entanto, nem a revista \u201ccient\u00edfica\u201d que publicou o estudo, nem os jornalistas que disseminaram a \u201cdescoberta\u201d, se preocuparam com a validade e qualidade do mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estudo foi enviado a 20 revistas conhecidas por serem \u201cpredat\u00f3rias\u201d, revistas que abusam do conceito de \u201cacesso livre\u201d para publicar qualquer artigo, por mais absurdo que seja, a troco de dinheiro. V\u00e1rias aceitaram o artigo em apenas 24 horas mas a <em>\u201c<a href=\"http:\/\/donotlink.com\/imed.pub\/ojs\/index.php\/iam\/index\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">International Archives of Medicine<\/a>\u201d<\/em> acabou por ser a escolhida pela quantia de 600 euros. Um dia depois da confiss\u00e3o de Bohannon, a revista removeu o artigo e emitiu <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/groups\/iamedicine\/permalink\/10153415208752082\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">uma explica\u00e7\u00e3o<\/a> onde diz que o artigo foi publicado por engano durante algumas horas, na verdade, <a href=\"http:\/\/retractionwatch.com\/2015\/05\/28\/chocolate-diet-study-publisher-claims-paper-was-actually-rejected-only-live-for-some-hours-email-however-says\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">foi publicado em Abril<\/a>. Para quem tiver curiosidade uma c\u00f3pia do estudo pode ser lida <a href=\"https:\/\/pt.scribd.com\/doc\/266969860\/Chocolate-causes-weight-loss\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi tamb\u00e9m criado um <a href=\"http:\/\/instituteofdiet.com\/2015\/03\/29\/international-press-release-slim-by-chocolate\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">comunicado de imprensa<\/a> sobre a descoberta, engendrado para explorar a pregui\u00e7a dos jornalistas em investigar as fontes. Surpreendentemente, ou n\u00e3o, nem o <em><a href=\"http:\/\/instituteofdiet.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cInstitute of Diet and Health\u201d<\/a><\/em>, o s\u00edtio onde supostamente trabalhavam os cientistas, mas que n\u00e3o passava de uma p\u00e1gina na Internet, levantou qualquer suspeita entre os jornalistas que divulgaram a hist\u00f3ria. Alguns publicaram a hist\u00f3ria sem sequer tentarem contactar Bohannon, outros entraram em contacto mas apenas fizeram perguntas superficiais e nenhum tentou procurar um especialista independente para pedir uma opini\u00e3o sobre o estudo. Tanto tabl\u00f3ides como meios de comunica\u00e7\u00e3o mais rigorosos falharam em detectar os buracos da hist\u00f3ria.<\/p>\n<h4>O que falhou?<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">A necessidade de publicar hist\u00f3rias em tempo recorde, um enorme incentivo para produzir hist\u00f3rias que atraiam audi\u00eancia, mas poucos incentivos para a verifica\u00e7\u00e3o de fontes e correc\u00e7\u00e3o de erros, s\u00e3o apenas alguns dos poss\u00edveis motivos para a multiplica\u00e7\u00e3o do famigerado <a href=\"http:\/\/comcept.org\/2014\/04\/08\/indiano-de-179-anos-mata-gatinhos-ou-como-enganar-jornalistas-estagiarios\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cherpes digital\u201d<\/a>. Adicionalmente, a falta de jornalistas de ci\u00eancia que existe em muitas redac\u00e7\u00f5es, leva a que estudos piloto ou de fraca qualidade acabem por ser representados como a \u00faltima das verdades cient\u00edficas, simplesmente por serem engra\u00e7ados ou nos fazerem sentir inteligentes. Uma realidade que David Mar\u00e7al e Carlos Fiolhais descrevem como a <a href=\"http:\/\/rr.sapo.pt\/informacao_detalhe.aspx?fid=31&amp;did=184353\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cditadura do engra\u00e7adismo\u201d<\/a>, um fen\u00f3meno que cria um terreno f\u00e9rtil para a propaga\u00e7\u00e3o de pseudoci\u00eancia e que representa a ci\u00eancia, junto do p\u00fablico, como um conjunto de bitaites avulsos e aleat\u00f3rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das \u00e1reas em que a ditadura do engra\u00e7adismo \u00e9 mais not\u00f3ria e delirante \u00e9 precisamente a nutri\u00e7\u00e3o. A sede de informa\u00e7\u00e3o do p\u00fablico por hist\u00f3rias que envolvam a tem\u00e1tica da obesidade ou a preven\u00e7\u00e3o e cura de doen\u00e7as atrav\u00e9s da alimenta\u00e7\u00e3o, assim o obriga. Todas as subst\u00e2ncias do mundo t\u00eam de ser divididas entre as que fazem bem e as que fazem mal, entre as que previnem cancro e as que causam cancro, entre as que s\u00e3o naturais e puras e as que foram contaminadas pela artificialidade. As v\u00e1rias modas de estilos de vida \u201cnaturais\u201d e \u201calternativos\u201d, bem como o desejo de tomar as r\u00e9deas da pr\u00f3pria sa\u00fade, sem m\u00e9dicos ou f\u00e1rmacos, s\u00e3o factores que podem explicar este enorme interesse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, apesar de a nutri\u00e7\u00e3o ser realmente muito importante para a sa\u00fade, esta \u00e9 uma \u00e1rea que \u00e9 notoriamente dif\u00edcil de investigar. Mesmo quando n\u00e3o existem falhas metodol\u00f3gicas graves, acidentais ou propositadas, h\u00e1 toda uma gama de &#8220;ru\u00eddos de fundo&#8221; que pode levar a conclus\u00f5es erradas: quando se estuda ratinhos, mesmo que geneticamente id\u00eanticos e num ambiente completamente controlado, corre-se o risco de os resultados n\u00e3o serem os mesmos em humanos; por outro lado, quando se estuda pessoas, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil controlar o que os participantes andaram realmente a comer e a fazer. Portanto, n\u00e3o \u00e9 de todo surpreendente que os alimentos previnam e causem simultaneamente cancro dependendo do estudo que se l\u00ea.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5808\" aria-describedby=\"caption-attachment-5808\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5808\" title=\"\" src=\"https:\/\/teste.comcept.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Medical_studies-05.0.png\" alt=\"Tudo o que comemos tanto causa como previne cancro. Cada ponto vermelho representa um estudo diferente. Via Vox.\" width=\"800\" height=\"681\" srcset=\"https:\/\/teste.comcept.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Medical_studies-05.0.png 800w, https:\/\/teste.comcept.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Medical_studies-05.0-300x255.png 300w, https:\/\/teste.comcept.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Medical_studies-05.0-768x654.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5808\" class=\"wp-caption-text\">Tudo o que comemos causa e previne cancro ao mesmo tempo. Cada ponto vermelho representa um estudo diferente. Via Vox.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isto n\u00e3o significa que n\u00e3o se deva confiar em nenhuma informa\u00e7\u00e3o sobre nutri\u00e7\u00e3o. O problema \u00e9 que, geralmente, um jornalista de ci\u00eancia entende que nem todos os estudos s\u00e3o iguais, mas um jornalista generalista, ou de outra \u00e1rea, facilmente cai no erro de apresentar como argumento de autoridade estudos que deveriam ser lidos com uma pitada de sal. Desta forma, estudos que normalmente seriam \u201crasgados\u201d e esquecidos nos bastidores do \u201cringue\u201d cient\u00edfico s\u00e3o hoje apresentados ao p\u00fablico assim que s\u00e3o publicados, ou at\u00e9 antes disso. Parte do p\u00fablico n\u00e3o entende que esse \u00e9 um processo normal e fica com a ideia de que n\u00e3o se pode confiar na ci\u00eancia porque esta <a href=\"http:\/\/comcept.org\/2012\/12\/04\/ainda-ha-uns-tempos-a-ciencia-dizia-isto-agora-diz-aquilo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201canda sempre a mudar de ideias\u201d<\/a>. Outra parte torna-se v\u00edtima dos modernos gurus da alimenta\u00e7\u00e3o que usam e abusam de maus estudos para vender banha da cobra.<\/p>\n<h4>E com a pr\u00f3pria ci\u00eancia? N\u00e3o h\u00e1 nada de errado?<\/h4>\n<figure id=\"attachment_5811\" aria-describedby=\"caption-attachment-5811\" style=\"width: 265px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5811 \" title=\"\" src=\"http:\/\/comcept.org\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/dog-608611_1280-300x225.jpg\" alt=\"dog-608611_1280\" width=\"265\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/teste.comcept.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/dog-608611_1280-300x225.jpg 300w, https:\/\/teste.comcept.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/dog-608611_1280-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/teste.comcept.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/dog-608611_1280-768x576.jpg 768w, https:\/\/teste.comcept.org\/wp\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/dog-608611_1280.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 265px) 100vw, 265px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5811\" class=\"wp-caption-text\">\u00abSer\u00e1 que posso comer chocolate? Aquele estudo cheira mal mas tinha um p&lt;0,05\u00bb Cr\u00e9dito: Pixabay.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser\u00e1 justo colocar todas as culpas no jornalismo ou at\u00e9 afirmar que a nutri\u00e7\u00e3o \u00e9 a \u00fanica \u00e1rea cient\u00edfica com problemas? A ci\u00eancia tamb\u00e9m falha, at\u00e9 mesmo quando tudo corre como \u00e9 suposto, mas h\u00e1 quem advogue que os casos de m\u00e1 ci\u00eancia come\u00e7am a tornar-se demasiado frequentes em v\u00e1rios campos. A experi\u00eancia de John Bohannon traz \u00e0 mem\u00f3ria algumas fragilidades, que de resto, <a href=\"http:\/\/www.vox.com\/2015\/5\/13\/8591837\/how-science-is-broken\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">t\u00eam sido um tema recorrente nos \u00faltimos tempos<\/a>. A l\u00f3gica do \u201cpublicar ou morrer\u201d (<em>publish or perish<\/em>), bem como a press\u00e3o para que se publiquem sobretudo resultados positivos e inovadores, s\u00e3o frequentemente apontadas como as causas de muitos males e v\u00edcios: o incentivo \u00e0 publica\u00e7\u00e3o em quantidade em vez de qualidade; os malabarismos na busca de uma ambicionada e, muitas vezes incompreendida, signific\u00e2ncia estat\u00edstica; publica\u00e7\u00f5es apressadas com pouca fundamenta\u00e7\u00e3o; o aumento da tenta\u00e7\u00e3o de fraude; a perda de dados de hip\u00f3teses falhadas que ficam esquecidos em gavetas; e o pior de tudo\u00a0\u2013 o desencorajamento da replica\u00e7\u00e3o independente de experi\u00eancias \u2013 um importante mecanismo de correc\u00e7\u00e3o de erros e uma das medidas mais importantes para aferir a veracidade de algo. A isto junta-se a ascens\u00e3o das revistas \u201cpredat\u00f3rias\u201d que publicam artigos sem qualquer controlo de qualidade, ou os interesses ideol\u00f3gicos e financeiros dos investigadores que nem sempre s\u00e3o revelados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser\u00e1 poss\u00edvel corrigir estes problemas? Talvez o melhor sinal positivo seja a discuss\u00e3o e a consci\u00eancia que hoje existe sobre o assunto. Mas h\u00e1 quem j\u00e1 tenha passado da discuss\u00e3o \u00e0 pr\u00e1tica. Existem iniciativas para adaptar o sistema de revis\u00e3o por pares aos tempos modernos, como a revis\u00e3o p\u00f3s-publica\u00e7\u00e3o que permite detectar falhas que a revis\u00e3o tradicional deixa escapar. Surgiram activistas que se dedicam a detectar e denunciar maus exemplos de ci\u00eancia, e revistas que aceitam resultados negativos ou exigem a partilha dos dados originais sem tratamentos estat\u00edsticos. Isto s\u00f3 para nomear alguns exemplos. A comunidade c\u00e9ptica tem tamb\u00e9m um papel fundamental na den\u00fancia da m\u00e1 ci\u00eancia e na explica\u00e7\u00e3o ao p\u00fablico do que \u00e9 e como deve funcionar a ci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As falhas e erros s\u00e3o parte integral da ci\u00eancia, mas esta continua a ser a melhor ferramenta que temos. Para quem n\u00e3o tem forma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, o mar de informa\u00e7\u00e3o contradit\u00f3ria que antigamente passava despercebido pode ser uma aut\u00eantica dor de cabe\u00e7a. O melhor conselho que se pode dar para separar o trigo do joio \u00e9 dar mais import\u00e2ncia ao consenso cient\u00edfico do que a estudos ou especialistas individuais, o primeiro tem uma menor probabilidade de estar errado.<\/p>\n<h4>Informa\u00e7\u00e3o complementar<\/h4>\n<p><a href=\"http:\/\/comcept.org\/2014\/04\/07\/um-guia-geral-para-detectar-ma-ciencia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Um Guia Geral Para Detectar M\u00e1 Ci\u00eancia<\/em> &#8211; Recurso Comcept<\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/theness.com\/neurologicablog\/index.php\/a-chocolate-science-sting\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>A Chocolate Science Sting<\/em> &#8211; Neurologica (ingl\u00eas)<\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.publico.pt\/ciencia\/noticia\/falso-artigo-cientifico-aceite-para-publicacao-por-quase-200-revistas-especializadas-de-acesso-livre-1608118\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Falso artigo cient\u00edfico aceite para publica\u00e7\u00e3o por mais de 150 revistas de acesso livre<\/em> &#8211; P\u00fablico<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como John Bohannon fez o mundo acreditar que o chocolate emagrece e o que isso nos ensina sobre a m\u00e1 ci\u00eancia e a ditadura do engra\u00e7adismo nos media.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":5814,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_kad_post_transparent":"","_kad_post_title":"","_kad_post_layout":"","_kad_post_sidebar_id":"","_kad_post_content_style":"","_kad_post_vertical_padding":"","_kad_post_feature":"","_kad_post_feature_position":"","_kad_post_header":false,"_kad_post_footer":false,"footnotes":""},"categories":[36,25,21,38,53],"tags":[581,3,582,583,56,412,584,585,586,587,588,328,484,120,589,590,41,591],"class_list":["post-5804","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ciencia","category-medicina-2","category-noticias","category-opiniao","category-pseudociencia-2","tag-alimentos","tag-cepticismo","tag-chocolate","tag-chocolate-emagrece","tag-ciencia-2","tag-comunicacao","tag-dietas","tag-ditadura-do-engracadismo","tag-institute-of-diet-and-health","tag-international-archives-of-medicine","tag-john-bohannon","tag-jornalismo","tag-ma-ciencia","tag-medicina","tag-nutricao","tag-opiniao","tag-pseudociencia","tag-revistas-predatorias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teste.comcept.org\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5804","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teste.comcept.org\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teste.comcept.org\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.comcept.org\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.comcept.org\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5804"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/teste.comcept.org\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5804\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.comcept.org\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5814"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teste.comcept.org\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5804"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.comcept.org\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5804"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.comcept.org\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5804"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}