
Uma teoria científica tem de explicar o que se sabe e fazer previsões testáveis. Podemos, com as teorias, construir modelos e levar as previsões um passo ainda mais à frente. Testar as previsões é uma maneira eficaz de avaliar a veracidade das teorias.
E o que a ciência prevê para coisas como o Reiki, é que não se encontrem provas de que funcione. Não mais que o efeito placebo – isto é, por aquilo que reproduz o Reiki em tudo, exceto nas suas características especificas.
A ciência prevê isto porque o Reiki assenta em noções pré-cientificas acerca de entidades e conceitos que sabemos não existirem com um grau de confiança elevado. Não estão nos modelos científicos que permitem explicar e prever tantas outras coisas.
Por isso, embora existam poucos estudos rigorosos, num contexto de pouca plausibilidade, e sendo que eles suportam a previsão de que o Reiki não tem efeitos que a si possam ser unicamente atribuídos, a conclusão que merece confiança é de que o Reiki não se distingue de um placebo.
É de notar que, encontrar resultados em que imitar Reiki é igual a fazer verdadeiro Reiki, está em linha com o que se prevê encontrar com o efeito placebo.
E é isso que acontece. Mais, como o efeito placebo é sobretudo um efeito na perceção e não um efeito sobre a entidade patológica em si, é de esperar também que seja na dor e noutras questões subjetivas que vamos encontrar significado estatístico no uso do Reiki. E claro, é isso que acontece.
O mesmo efeito poderia ser obtido com uma série de mentiras sobre a cura…Ou simplesmente fortalecendo a crença no tratamento genuíno e apoiando psicologicamente as pessoas. Afinal, o efeito placebo é um efeito da crença, não do tratamento, e como tal é muito mais fácil de obter. Existe em tudo. Até nas coisas que funcionam mesmo.
Como já disse antes, o que as pessoas sentem, para além de estarem realmente a ser tratadas, é importante. Mas podemos conseguir isso sem estar a destruir a imagem da ciência – das coisas que realmente funcionam – e a destruir o próprio benefício que se tira daí.
Para já, isto é o que a ciência diz. Sem grandes dúvidas. Caso haja provas em contrário, estou disposto a mudar de ideias. Mas, acreditar nisso em face da evidencia disponível, é acreditar que a melhor aposta é no que tem menos hipóteses de ganhar…
E por favor, não disparem no mensageiro. Vejam-se os estudos abaixo:
BIBLIOGRAFIA:
- Estudo de revisão: Embora que não se tenham encontrado reduções significativas nos sintomas, o Reiki melhorou a boa disposição:
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21584234 - Outra revisão onde não se encontra suporte para esta prática:
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18410352 - Não há diferenças entre Reiki verdadeiro e Reiki “à balda” no que se refere à significância estatística dos resultados. No entanto, como fazem os acupuntores, conclui-se que ambos funcionam e não que é apenas placebo:
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21531671 - Revisão que conclui que não se podem tirar conclusões sobre a eficácia, que é preciso mais testes (como se o que se espera é não se encontrar suporte para o Reiki?):
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21701183 - Conclui eficácia para dor (embora p=0,091) e ansiedade em doentes oncológicos:
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21998438
Encontrei apenas dois ensaios clínicos que considero bons, por cumprirem regras importantes de metodologia. São estes dois:
- Estudo randomizado, duplo cego (Reiki à distância) após cesariana – Não funciona:
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3191394/?tool=pmcentrez - Estudo randomizado, controlado com Reiki falso, na fibromialgia – Não funciona:
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3116531/?tool=pmcentrez
Não encontrei nenhum estudo randomizado, cego e controlado com placebo (falso Reiki) que sugerisse eficácia no Reiki. Agradeço a quem encontrar algum que me diga.
